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quinta-feira

Compre biquinis das melhores marcas antes mesmo de chegarem às lojas...


Compre biquinis de bojo pronta entrega atacado, na loja ou pela internet



Avenida Paulista, em SP, tem competição com participantes de biquínis e sungas

O Globo

Competição leva mulheres de biquíni e homens de sunga à Avenida Paulista, em SP - Foto João Clara/Diário de S. Paulo

SÃO PAULO - Cerca de 30 pessoas usando biquínis e sungas marcharam na manhã desta quarta-feira em plena Avenida paulista, centro financeiro de São Paulo. Todo usavam trajes de banho vermelho e e participaram de uma seletiva que vai escolher o protagonista de um minidocumentário patrocinado por uma marca de goma de mascar. O vencedor vai viajar para gravar em diversas partes do mundo.

quarta-feira

É hora de pensar nos biquinis que você vai usar nessa temporada.Veja os nossos biquinis para 2010 já na nossa loja



Com uma silhueta seca e definida, Mirella Santos foi a escolhida para estampar a capa da revista Dieta Já! de setembro. Usando um biquíni colorido, a dançarina mostra que o corpo exibido em A Fazenda, da Record, é de verdade.

Mirella é dona de um metabolismo privilegiado e nunca se descuida do corpo. Além de malhar cinco dias por semana, recentemente, aderiu à reeducação alimentar e passou a adotar hábitos saudáveis para manter a boa forma.

No confinamento, a ex-fazendeira teve de se cuidar ainda mais, já que não podia treinar como faz diariamente na academia e fez uma dieta antes de entrar no reality. "Sabia que dentro da casa seria inevitável ganhar alguns quilinhos. Segui, então, um cardápio ortomolecular. Em 20 dias, 4 kg se foram", contou ela que entrou no programa pesando 63 kg muito bem distribuídos em seus 1,72 m.

Porém, esse peso foi recuperado no confinamento. Por causa da ansiedade, os participantes comiam muitos doces. "Quanto mais acentuada (a ansiedade), maior era a compulsão pela comida. O curioso de tudo isso é que nunca tinha manifestado este tipo de transtorno", disse.

Mesmo assim, isso não representou nenhum drama. "Estou muito feliz com 67 kg. Além de ser o meu peso normal, é aquele no qual me sinto bem", afirmou.

domingo

Escolha o biquíni certo e valorize seu corpo O clima está esquentando e é hora de exibir o corpo nos novos modelos de biquíni.


Neste verão eles seguem o estilo dos anos 70 e por isso têm uma modelagem mais discreta, mas o preferido das brasileiras, o top cortininha e as calcinhas de lacinhos continuam com tudo. Para arrasar no verão e valorizar ainda mais o corpo, confira qual modelo de biquíni combina mais com você.

Seios pequenos

Para mulher que tem seios pequenos o modelo ideal de top são o estilo cortininha, com bojo ou no estilo frente única. Os modelos tomara-que-caia com plissados também ajudam a dar mais volume aos seios.

Quadris estreitos

As calcinhas de lacinhos são ideais, seja de amarrar dos dois lados ou de um só. Também vale aquelas com as laterais bem estreitas. As calcinhas mais cavadas no bumbum também favorecem.

Seios grandes

Quem tem seios volumosos deve apostar nos sutiãs mais estruturados, como aqueles que têm um suporte logo abaixo do bojo. Também vale aqueles estilo faixa, mas com alças. Alguns seguem essa modelagem com um leve decote que garante mais o bronzeado.

O estilo frente-única também pode, contanto que o bojo seja maior, principalmente na altura, e que afina aos poucos para poder ser preso ao pescoço.

Quadris largos

Para as que têm o quadril muito largo, o ideal é usar as calcinhas tipo sungão ou mais fechadas no bumbum. Calcinhas de amarrar nas laterais também podem ser usadas, contanto que sejam menos cavadas. A calcinha de lateral mais larga é uma ótima escolha.

Dicas

Pernas compridas tronco curto

Para disfarçar aposte nas calcinhas de cintura baixa. Elas têm o podem de alongar o corpo.

Disfarçar a barriga

Quem não está em forma e aquela barriguinha está saltando aos olhos, use calcinha de cintura um pouco mais alta.

Criar volume

Para as que além do recurso da modelagem das peças quer criar uma ilusão de ótica de mais volume seja nos seios ou no bumbum, use cores claras ou estampas miúdas.

Diminuir o volume

Para tentar disfarçar o volume dos seios ou do bumbum aposte nas peças lisas e de cores escuras.

O que está na moda

Listras, poás (estampas de bolinhas), flores, folhagens, desenhos abstratos e tribais, preto e branco, azul marinho, vermelho, bege e tons vibrantes.

sábado

Biquinis atacado e varejo...na loja ou pela internet



Saiba o tipo de biquini adequado para você fazer sucesso nesse verão!

Como-escolher-biquini

Antes que o verão chegue, é bom ficar atenta sobre o tipo de biquíni ideal para você. Elegantes, divertidos, sexys ou discretos, há vários modelos que estruturam as curvas femininas. Mas para você fazer sucesso é necessário usar uma peça que combine com seu corpo.

Leveza e variedade são palavras de ordem nas coleções de biquínis para o verão que se aproxima. Nos mais diversos estilos e cores, os biquínis valorizarão especialmente o colo e ombros femininos em modelos de um ombro só e tomara-que-caia. Modelos confortáveis, sofisticados e sensuais.

Qual o modelo de biquíni ideal para o meu corpo?

Para as mulheres com seios pequenos, o modelo ideal de top são o estilo cortininha ou frente única. Top com bojo para aumentar os seios também é favorável. Já as mulheres com seios grandes, deve apostar nos sutiãs com um suporte logo abaixo do bojo. Top cortinão com as alças largas e amarração na frente que dê para regular também são bem-vindos.

Quadris estreitos exigem calcinhas de lacinhos, seja de amarrar dos dois lados ou de um só. Calcinhas mais cavadas no bumbum também ficam perfeitas. Para quem tem quadril muito largo, o ideal é usar calcinhas mais fechadas no bumbum. Calcinhas de lateral mais larga são uma ótima escolha.

Para as mulheres mais cheinhas, a melhor opção são calcinhas com a parte da frente mais alta e as magrinhas sortudas podem abusar!

Mas nunca se esqueça: Antes de qualquer coisa, a exigência é estar confortável. Procure usar o tamanho certo para o seu corpo, para que não fique com marcas no corpo ou perder seu biquíni a cada mergulho. Biquínis justos demais, além de deformarem o corpo, ainda estragam o tecido e os folgados, dão a sensação de corpo flácido.

Portanto, antes de comprar, prove!

Por Karen Gomes

segunda-feira

Veja a coleção 2010 das grandes marcas, biquinis atacado,biquini moderno,biquini ousado,biquini com bojo





_DAVID AZULAY

"Eu sei fazer duas coisas na vida, mandar e pedir. Não sou estilista, nem gostaria de ser. Estou muito mais preocupado em manter a ideologia da minha empresa: ser brasileira e ipanemense." David Azulay não tem mesmo physique de um estilista, nem fala como um. Parece um veterano do Pier, com 40 anos de praia. No entanto, um empresário muito bem-sucedido e um dos maiores responsáveis pela forte tradição brasileira em moda praia.

Uma história que começa na mística ipanema dos anos 70 e vai dar nas ruas de Paris, Milão e Nova York. Uma aventura de sucesso, nascida de uma corriqueira competição entre irmãos. David desembarcou no Rio de Janeiro em 1967, para "fugir de marasmo de Belém". Tinha 12 anos e vinha acompanhado do irmão mais velho, Simão Azulay, este sim, transbordando desse carisma tão caro ao universo fashion. "O Simão sempre teve ligado forte com a moda", conta David. "Já eu não tinha vocação nenhuma, ficava meio na aba dele. Não queria estudar e pensava: 'Se o Simão for médico eu vou ter um hospital, se ele for arquiteto eu vou ser o construtor...' Era mais ou menos assim. Até porque eu sabia que ele não segurava a onda sozinho, não lidava bem com o dinheiro, com poder. Eu sabia que quem ia ter de ganhar o dinheiro era eu. Ainda que fosse o mais novo, eu era o que ia botar o concreto na coisa para que não virasse tudo água."

De fato, Simão tornou-se logo um personagem carioca. Começou vendendo bottons dos Beatles na porta da boate Help e em pouco tempo já era um verdadeiro criador de moda. Suas primeiras peças, camisas cacharel bordadas, fizeram sucesso imediato no avançado meio cultural carioca dos anos 70. David assistia a tudo isso de perto, já que Simão costurava e bordava em casa. Ele via o entra-e-sai de fornecedores e costureiros. "Um dia, eu estava de bobeira em casa, enrolado na toalha, de sandálias, quando chegou um rabino procurando pelo Simão. Era um costureiro e trazia uma encomenda: dois biquinis feito de jeans. Eu vi aqueles biquinis e fiquei louco: 'Caraca! Que coisa maravilhosa'".

David interceptou a encomenda e saiu na rua com os dois biquinis jeans: "Tinha uma mulherzinha numa butique de Ipanema que eu era louco para azarar, mas tinha de ter um bom motivo para visitá-la. Quando vi aqueles biquinis tão lindos, tão lindos, pensei: vou levar com a desculpa de vender isso para a butique dela." Mas o que era desculpa se revelou um bom negócio:" Não faturei a garota, mas os biquinis acabaram dominando a minha cabeça. De repente, percebi que aquilo era ouro. Em apenas uma tarde, andando de loja em loja com esses dois modelos de mostruário vendi 1.800 peças. Vendi até mesmo na Galeria 444, onde só tinha butique bacana: Modinha, Smuggler, Prestígio, Deja Vu, Aniki Bob, Aquarius..."

Não era de estranhar que um biquini inovador como aquele despertasse tanto interesse no início dos anos 70. Havia então uma vontade de moda no ar, pela a primeira vez os jovens tomavam para si o poder de ditar estilo. O mercado, no entanto, não estava preparado. Ir as praias, mesmo para os hippies contestadores, implica vestir os antiquados mais inteiros da marca Catalina ou arriscar em modelos improvisados, biquinis de crochet ou calcinha e sutiãs de lingerie adaptados caseiramente. Um biquini feito de jeans, o tecido "jovem", era exatamente o que aquele momento exigia.

"Voltei para casa com os pedidos na mão", lembra David. "O Simão não sabia de nada. Fiquei na minha. Quando encontrei com ele disse que tinha visto os biquinis. Perguntei por quanto pretendia vendê-los. E ele: 'Uns 35 cruzeiros, acho'. Eu disse: vamos falar sério? Eu já vendi por 45! Achei que o cara ia ficar contente, mas ao contrário, ficou puto. Dizia: 'Eu não aguento mais! Quero ir embora dessa casa você pega tudo o que é meu!' Eu não tive maldade nenhuma, estava querendo ajudar". Essa típica briguinha de família poderia ter adiado o nascimento da tradição brasileira em moda praia. Mas não foi o que aconteceu." Depois que passou a raiva, o Simão mandou fazer e me deu para que entregasse nas lojas que em que havia vendido. Mas quando entreguei, tive uma surpresa. Os biquinis que vendi como água, mostrando a cara deles, que eram lindos de se ver, não serviam para vestir! Não passavam nas canelas das mulheres, ficavam no joelho... Nem eu, nem o Simão, nem as lojistas que o compraram, ninguém se deu conta de que jeans sem lavagem, duro pra cacete, não tinha a elasticidade necessária. As lojas devolveram tudo. O Simão olhou pra mim e disse. "Viu? Você azarou tudo. Não quero mais saber desse negócio de biquinis!" Pegou as peças devolvidas botou embaixo da cama e acabou o assunto. Esses 600 biquinis apodreceram!"

Simão retornou o seu caminho, e criou a marca San Sebastian e começou customizando as calças e jaquetas jeans que logo o tornariam famoso. David que continuava sendo cobrado pelas butiques, resolveu tomar seu próprio rumo. "Eu tinha vibrado com aquela venda, muito mais que o Simão. O universo de moda dele era muito maior, para ele moda praia era apenas 'uma coisa a mais'. Já eu sonhava em inventar a calça Levi´s e viver disso para o resto da vida. Com o sucesso daquela venda, cheguei a achar que tinha nas mãos a Levi´s da moda praia. Não me conformei com o fracasso. Decidi continuar investindo no produto, recuperar a idéia de qualquer jeito, e garantir com ela a minha auto-suficiência. Senão ia continuar sempre na aba do Simão, e ele sempre na minha frente".

David, muito mais rato de praia que o estilista, sem nenhuma experiência em moda, dedicou seus dias a remodelar o biquini jeans. Passou tardes fazendo prova com suas amigas e o resultado era sempre o mesmo, ou ficava muito apertado ou frouxo de mais. Um dia, lamentando-se com o Antônio Nazar, o Binha, um amigo que era um estilista genial, mostrei o biquini a ele, na maior simplicidade, falou: "Que isso rapaz? Todo esse escândalo para nada? Basta cortar a lateral e fazer um lacinho nela que o biquini se adapta a qualquer corpo". Eu gritei: Binha, filha da puta! Que maravilha! Você salvou minha vida! "Saí dali voando para comprar mais jeans e fazer mais biquinis."

"Quando descobri que com 100 metros de tecido eu podia fazer quase 800 biquinis, vi que aquela era a solução para a minha independência", conta David. Mas, para conseguir a matéria-prima, o novo estilista teve que apelar mais uma vez ao irmão, que tinha todos os endereços e atalhos do jeans. Conseguiu o dinheiro para os 100 metros e, para diminuir o custo, tentei comprá-los junto com a encomenda do Simão, que era mais de 2 mil metros. Combinei de ir a fábrica com ele e no dia tomei meu banho, pus a minha bermuda e a minha sandalinha havaiana. Quando me viu, o Simão falou: "Meu irmão, comigo tu não vai sair assim não. Pega um sapato e uma roupa descente". Era sempre assim, a gente já se estressava de saída. De raiva acabei não indo. Mas fiquei na escuta, esperando o caminho que trazia o carregamento de jeans dele, para descobrir de onde vinha. Vi que era da fábrica Santa Rosa, de Valena e me mandei para lá e ainda fui com o carro do Simão, que eu "roubei", enquanto ele dormia. Quando cheguei lá, um técnico da fábrica viu o modelo e disse: "Para fazer isso, você pode usar o jeans de segunda". Quis ver o jeans de segunda. Era muito mais legal, tinha umas falhas de agulha que davam uma cara bem mais interessante. "Cadê o de terceira?", perguntei. Era ainda melhor. Resultado: fui com o dinheiro para comprar 100 metros e saí de lá com 1000 metros. Esse jeans todo ia entulhar a minha casa, mas agora eu tinha um patrimônio incrível, podia fazer com ele mais de 8 mil peças - acho que nem conseguia gastar todo o tecido, não tinha velocidade para produzir tanto."

O verão começou mais cedo em Ipanema, como de hábito. E naquele ano o que se via de novo era o biquini jeans do David. Com o sucesso local, o ambicioso "novo estilista" anteviu as imensas possibilidades de seu produto. Para diversificar o mercado, pegou o ônibus para São Paulo. "Levei para lá, uns 800 biquinis jeans. Percorri a rua Augusta de cima para baixo, lá estavam as melhores butiques, Elle Et Lui, Drugstore, Buraco da Ferradura, Cleptomania, Paraphernalia... Nem tive tempo de fazer todo o circuito porque caiu um temporal danado. Molhei-me todo subindo a ladeira. As sandálias iam levantando a lama e sujando a minha calça. Estava todo imundo que quando cheguei na Paraphernalia, que era o endereço mais quente, fiquei com medo de entrar. Tinha muita gente bonita ali, todas aquelas paulistas gatas, aquelas dessas loirinhas de calça Sant-tropez, muito chique mesmo. Se entrasse, iam gritar: "Pega ladrão!" E eu não queria queimar o meu filme, não? Fiquei de fora com o biquini jeans na mão, acenando para a dona da loja, a Guaracy. Quando ela viu o biquini me botou para dentro e o vestiu no ato para experimentar. Juntou gente pra ver, as paulistas diziam: "Que lindo! Quanto?". Vendi 60 só lá na Paraphernalia. Essa é uma lembrança muito boa".

Sucesso entre os hippies chiques da Augusta e hippies de fato em Ipanema, o verão de 1971/1972 foi dominado por David Azulay. De uma hora para outra ele deixou de ser o irmão de Simão. Mais do que isso, virou uma marca: "Agora, precisava inventar um nome. Nessa época estava rolando um LSD da melhor qualidade que se chamava Blue qualquer coisa. Eu também andava fascinado por uma marca em São Paulo, chamada New Man. Aí juntou tudo. A marca paulista que terminava com "Man", a histeria da Levi´s que era azul, O LSD azul, o meu nome, Azulay. Criei a marca Blue Man, achando que ia fazer biquini jeans a vida inteira. Aquele foi o nascimento da moda praia brasileira, não tenho dúvida disso".

A década de 70 começava com as praias cheias de gente usando Blue Man. O auge do prestígio foi quando a musa do momento, a modelo Rose Di Primo, se deixou fotografar passeando pelas areias de Ipanema dentro de um modelo da marca. Além de seu corpo escultural e seu bronzeado impecável, Rose era conhecida pelos biquinis que criava para si, como o famoso tomara-que-caia de panos retorcidos. Muitos atribuem a ela, por exemplo à invenção da tanga. A modelo representava naquele momento o padrão ideal de beleza brasileira, por isso já ensaiava uma carreira internacional com fotos suaspublicadas nas revistas Stern, Quick e L´Europeo. Daí a importância do seu aval.

"Eu ganhei muito dinheiro naquele verão", lembra David. "Com ele comprei 6 máquinas de costura, aluguei uma sala, botei a mesa de corte e arranjei espaço para uma pronta entrega. Mas então acabou o verão e senti que viria um longo e tenebroso inverno. Já tinha percebido que não podia ficar estacionado no biquini jeans. Com o tempo, descobri também que podia usar a minha criatividade, comecei a pensar em idéias para uma nova coleção. Resolvi investir nos colants, que tinham virado moda. Nesse momento, coincidiu que o Binha, que andava perdido e muito louco em algum lugar da Bahia, reapareceu. Foi pintar um painel numa das paredes da sala que aluguei. Enquanto ele pintava, eu fazia a minha coleção de inverno. De vez em quando, ele dizia: "Estou com umas idéias que você vai adorar". E eu cortava: "Não se mete não, pinta o negócio aí e sai fora!". Mas numas dessas eu saí para fazer qualquer coisa e, quando voltei, ele me mostrou o que tinha feito na minha ausência: transformou um dois meus colants em blusa e fez nela umas aplicações em cetim, um desemho de nuvens e estrelas com a expressão "UAU". Ele dizia: "Meu irmão, isso é a moda, isso é o grito! E eu posso fazer uma atrás da outra".

Nesse momento, o Simão, que tinha ido se despedir de mim antes de uma viagem a Europa, viu a blusa do Binha e falou: "Isso é a coisa mais linha do mundo! Pelo amor de Deus, quero viajar pra Europa com essa blusa!". Só então admiti que aquela era uma boa idéia e liberei o Binha para mudar toda a minha coleção.

As "cocotas" que haviam usado o biquini jeans no verão, circularam o inverno inteiro com blusas de estampa pop: nuvens, estrelas, fogueirinhas, cachorro-quente, Flash Gordon. A Blue Man, extrapola suas pretenções e começava a ser conhecida também fora das praias. Em matéria na revista Manchete, a jornalista Gilda Chataiginter batizou o movimento de moda Astral. Nos verões seguintes, outros modelos de David dominariam as praias. O principal deles seguinda a onda pop, estampava a bandeira dos Estados Unidos na frente da calcinha. "Com esse biquini a Blue Man virou internacional. Acho que foi o auge da nossa moda de praia, o momento em que o mundo olhou para o Brasil. Ele saiu na capa do jornal inglês The Sun, ilustrando uma matéria que dizia que, depois de Carmem Miranda, do café e do Pelé, o Brasil inventava um novo produto de sucesso: a "tanga". Logo depois, eles me ligaram dizendo que a redação do jornal não parava de receber pedidos de gente querendo saber onde encontrar a tal tanga. Fui para Londres na mesma hora."

Repentinamente, A Blue Man começava sua carreira internacional. Em pouco tempo os biquinis e maiôs da marca podiam ser encontrados em Paris, Londres e Milão. A "tanga" começou a freqüentar as páginas de revistas e o estilo brasileiro passou a ser copiado no mundo todo. Todo esse pico de moda praia aconteceu em menos de cinco anos. Foi o tempo para o Brasil entrar no circuito como "o" país especialista no assunto. Foi o tempo, também, para David ver seu pequeno negócio se transformando em uma indústria de promessas inesperadas.

Nesse período, a Blue Man continuou lançando com motivos tropicais, biquini de cordinha - feito de retalho de patchwork -, biquini estampado com motivos tropicais, biquini com fivela, e até o famoso biquini de enrolar - uma espécie de shortinho cuja cintura era enrolada ao gosto do freguês. "Se você fosse uma menina discreta enrolava pouco, se fosse "cachorra" enrolava tudo", conta David. Enquanto isso, o Brasil assistia ao nascimento do seu próprio mercado de moda praia, com surgimento de uma infinidade de novas marcas dedicadas aos biquinis, além da modernização dos nomes já existentes.

Apesar de toda essa movimentação local, David continiava olhando para fora. "Os anos fora passando e percebi que tinha muito mais tesão em ver o nome da Blue Man publicado em uma revista italiana do que numa nacional. Eu estava ficando totalmente voltado para o mercado europeu."

Enquanto isso, Simão vinha fazendo jus ao título do Rei do Jeans, que ganhará de seus conterrâneos cariocas. Sua marca San Sebastian, era muito cultuada no Rio, ainda que não tivesse alcance nacional. David lembra que, nesse momento, quem dava as cartas na família era ele: "Quando queria provocar o Simão, eu dizia: Meu irmão tu é um copiador safado! Enquanto você é respeitado aqui, eu sou respeitado lá fora pelos mesmos caras que você copiou. Falava assim para tirar uma onda. Mas eu tinha moral para dizer isso, eu tinha mesmo um conceito muito bom lá fora, minha marca estava em revista do mundo todo." Mas quando os anos 80 chegaram, apesar de todo culto a San Sebastian fechou, envolta em dívidas. David se juntou mais uma vez ao irmão e dessa união nasceria outro nome fundamental para a moda brasileira naquela década: "Yes Brazil. Quando o Simão veio a precisar de mim, eu estava lá.

Eu tinha crédito, tinha dinheiro e estava estabelecido. E ele, um megalomaníaco que só pensava em ternos de milhões. Então o convenci de montarmos uma loja juntos. Na Yes Brazil, venderemos a nova marca dele Chez Simon, e Blue Man. Abrimos a loja e foi o maior sucesso do mundo. Virou o veneno do momento. Vestimos só gente nova, moderna e transada. Com o tempo, ele começou a me tirar da jogada. Eu entrava na Yes Brazil e os biquinis estavam todos nas gavetas. Ele dizia: "Esse negócio de biquini não dá certo aqui!". Naquela época, auge da Yes Brazil, as pessoas me falavam: "p, seu irmão é foda, heim? Maior sucesso! E a Blue Man, continua lá na lojinha do número 33?". Aquilo foi me deixando puto e eu comecei a perder o tesão pela marca. Acabei saindo fora quando abri a loja da Blue Man no Fórum de Ipanema, que era o endereço da moda em 1983." Mas nem tudo era, rusga entre os irmãos Azulay. Foi Simão que corrigiu o rumo da Blue Man quando a marca correu o risco de sair dos trilhos em meados da década de 80." Eu estava exportando muito e acho que fui contaminado pelos grandes distribuidores enternacionais", conta David.

"Acho que por conta disso reforcei as estampas tropicais - tipo papagaio e tucano - e mexi nas formas dos modelos. Sempre que criava uma nova coleção precisa adaptar as modelagens ao mercado internacional: na itália tinha de ter uma bunda menor e um peito maior, na Alemanha tinha deser assim, na França assado. Cada um tinha sua modelagem e isso mantinha naquele ciclo vicioso, não sobrava mais tempo para viajar nas idéias. Pior: agora quando fazia uma coleção, já não tinha mais em mente a gatinha de ipanema, mas o mulherão italiano. "Foi Simão, um apaixonado confesso pela moda dos grandes centros quem primeiro se deu conta dos prejuízos dessa internacionalização. "Existia todo esse lado de competição entre nóes, mas só estávamos querendo o bem do outro. Um dia o Simão viu um italiano me dar um arrocho, depois falou: "Quer saber de uma coisa? Você é viado também, só que inruste isso nessa porra de exportação. Você está tomando na bunda desses gringos! Tem de mandá-los para puta que pariu! Eles estão destruindo a sua coleção, são todos cafonas não sabem nada de moda praia. Quem entende de biquini é brasileiro, rapaz! Se toca!' Isso me pegou na veia - Simão tinha lá a psicologia dele, sabia que o único jeito de me atingir era me chamando de viado. Foi um toque de mestre. Mais uma vez ele tinha razão. Depois disso, entendi qie o Brasil era, e sempre será, o melhor mercado do mundo para vender biquini. a partir daí, quando um gringo dizia: 'não quero assim, quero assado', eu respondia 'então tá, muito obrigado, pode ir embora".

David decidiu reciclar a filosofia da Blue Man: Comecei a entrar mais no varejo, abri loja no Rio e em São Paulo e ataquei com toda força o mercado de Belo Horizonte, porque quando você faz sucesso lá. faz sucesso no resto do Brasil. A partir daí fiz coleções brasileiríssimas, totalmente dedicadas as garotas das nossas praias. Fiz estampas com inspiração marajoara, fiz caju, fiz banana, melancia, abacaxi, Carmem Miranda. Coloquei todo esse tropicalismo que estava brotando aqui. A Blue Man adotou o estilo que tem até hoje: brasileiro".

Ao longo da década de 90, David redimensionou a empresa e conseguiu levar a Blue Man, intacta aos anos 2000. "Fiquei pequeno de propósito. Hoje tenho doze lojas próprias, seis franquias, enxuguei tudo para trabalhar menos. Às vezes, vejo as outras marcas repetindo os mesmos erros, querendo fazer sucesso lá fora como uma maneira de se fortalecer no Brasil. Tudo bem em aparecerem internacionalmente, mas eu não vejo o produto desses caras aqui nas nossas praias... Pô, meu irmão hoje eu sei: meu biquini foi feito para estar na praia e não em editorial de moda de revista estrangeira!".